quarta-feira, 6 de abril de 2011

à k, ao mano, aos que comigo lutam, à flor e a outras riquezas

a luta não se faz berrando, agitando na noite as águas lamacentas, batendo ou magoando a alma nos espinhos da flor. a rosa não deixa de ser rosa e age enquanto rosa. os espinhos não deixam de ser espinhos por menos martirizarem a alma de quem os segura sangrando o doce amor divino.

derruba a escuridão essas massivas paredes de pedra para espalhar o caos nos pátios e jazigos milenares? não encerra o orlado ferro retorcido da retranca a escuridão e não sou eu pequena capela de portão escancarado à espera do teatral insolente?

o verbo é "fluir"... o rio não luta contra a pedra no seu leito, ainda assim não se acomoda na passagem e verte no mar... o salmão quando o sobe não afasta as pedras do seu caminho, antes as usa para avançar... a pedra, o rio e o peixe são três numa só natureza.

então quando te falo em luta, é a isto que me refiro. uma luta de fluir, uma luta de abraços e amores onde a carga são flores e o sangue, luz. onde a face está livre para se dar, e o estalo é abraçado, morrendo o provatório arremesso na união das forças. sossega querido irmão, que este teu anjo está, ainda que cansado, tranquilo na natureza que tem. que os valores que suporta no granito cruzado que abraça, não o deixam cair fora do campo de batalha que escolheu para percorrer até ao pai... e que os teus fios de ouro me são tanto na vida como serão quando padeça, fios de ouro que me prendem aqui.

e na minha tumular inscrição que se leia com tardio sorriso: "a elevação da luta reflecte a humildade de ti."

3 comentários:

Anónimo disse...

Nenhum irmão, por mais querido que seja, sossega ao sentir os espinhos que te ferem. E todas as lutas serão inglórias quando nelas mora a resignação. Segue o teu coraçao, não viverás a verdade se fores escravo da tua luta. Ninguem disse que seria fácil, nem doce. Ninguem disse que sairás vencedor.
Vive, mas não te deixes amarrar. Não deixes morrer a flor.

anaas disse...

gostei muito. beijos

sonia disse...

Sábias palavras!